quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Eu sempre odiei o natal!

 Vou falar bem baixinho pra minha família não ouvir: Eu sempre odiei o natal! Tenho dó deles descobrirem que faço única e exclusivamente por eles..... 

Nunca soube explicar efetivamente o porquê. Posso apresentar diversas desculpas que talvez juntas formem um motivo. Mesmo não me vejo aqui com a obrigação de ser convincente posso apresentá-las:

Minha família é pequena e aí o natal fica sempre sem graça, minha mãe conta dias antes e às vezes meses antes, pra todo mundo o que comprou de natal pra gente, ou seja, nunca tem surpresa!

Para além, descobri que essa data foi inventada, Jesus não nasceu dia 25 e nem sequer em dezembro! Explica essa incoerência?

Quando se tem ente querido que recentemente se foi vira um novo enterro. Choro, lágrimas e ranger de dentes. Só derrota.

Enfim, frito rabanada, às vezes, sou eu a responsável pelo peru, faço meu tradicional pudim ... quando é lá em casa, arrumo a mesa bem bonitinha, monto a árvore semanas antes, enfeito a casa..... ninguém sabe. Engano bem direitinho. Todavia nada me faz gostar do evento em si.

O melhor momento do natal é 1 da manhã do dia 25 porque acabou. Lá em casa a “comemoração” acaba bem cedo. Houve ocasiões que consegui fazer terminar meia noite e meia. É o fim da tortura natalina. Tenho um ano pra respirar sem a máscara do ‘natal feliz’.

Vi um filme brasileiro recentemente que segue os moldes do filme ‘Click’ e que, apesar do humor ‘escrachadão’ do filme, me gerou a reflexão sobre a data: a necessidade de guardar memórias com familiares.

Teremos talvez por poucos anos o convívio com nossos mais velhos. E essas datas são uma oportunidade de guardar memórias com eles. Memórias que nos trarão esperança ou brisas de paz no futuro. Pensando assim, deixei esse natal um pouco menos sacrificante pra mim. Fiz tudo até com um 'certo' prazer. Bem pouquinho, mas fiz.

Tirei as não razões e deixei as razões de enriquecimento no convívio. Práticas pra vida. Não cheguei ao ponto de ouvir 'valsas vianeses' como nos diz Carolina Maria de Jesus, mas, sou capaz de lembrar desse último natal e a memória é de todos ao redor da mesa 'bonitinha', todos assistindo meu filho tocar seus primeiros acordes no violão e o incentivando com atenção e aplausos e, a partir daí, sentir as brisas de paz que a memória pode trazer.


quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A mágica de amamentar

Impressiono me ao ver o quanto o Pedro tem crescido, engordado e se tornado, cada dia que passa, uma criança saudável apenas com o leite materno. É louco ao pensarmos que sai do nosso corpo tão imperfeito e doente e supre as necessidades básicas de nosso filho. As exigências da sociedade contemporânea, principalmente sobre o corpo feminino, nos faz crer, por tantos momentos que somos tão, mas tão imperfeitas.....Acreditamos nisso e nos subjulgamos a medicamentos, atividades físicas, cirurgias e, quando não, caímos em depressão por vermos em nós a ausência do modelo de perfeição que a nós é pregado.


É então, nesses momentos que tenho percebido que para a natureza a perfeição vai muito além de um esteriótipo criado pelo homem para suprir exigências comerciais e sociais. Deus, pois é assim que eu creio, me fez tão perfeita que posso alimentar meu filho apenas com aquilo que o meu organismo produz e, a partir disso, torná lo um ser cada dia mais saudável, perfeito e feliz. Isso não é demais?




Além disso, não há nada mais mágico que essa comunição que criamos com nossos bebês enquanto amamentamos.
No começo tentava fazer esse 'olho no olho' a cada mamada por entender que isso era importante para a criança, seu crescimento, confiança e bem estar. Entretnato auto confiança e levante de auto estima quem tem recebido sou eu por que ele me faz perceber em cada olhar o quão importante sou para o bem estar dele.

Essas noções, por mais óbvias que pareçam, vêm ratificar a importância das coisas simples em meu dia a dia. Meditar sobre elas não permitindo que elas apenas 'passem' mecanicamente pelo meu dia é o que tem me mantido firme durante esse tempo 'caseira'.

Não é nada fácil, para que está acostumada com uma profissional intensa, se readaptar a vida doméstica. Após o primeiro mês, tudo é maçante!

Meditar e reaprender a dar valor a esses pequenos valores pode ser a chave para o crescimento nesse momento.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

De onde menos esperamos

“Emocionada, a tia Mitzi nos desculpou e aproveitou para fazer da situação o gancho para um exercício: pediu que desenhássemos o perdão. O perdão!
Não saberia desenhar o perdão hoje, imagine quando eu tinha oito anos!
Fiz o que pude.
- Um furacão, Maria de Lourdes! Que visão interessante do perdão.... – ela disse, redondamente enganada, enquanto analisava o meu trabalho.
- Não é um furacão, é uma flor carnívora gigante comento a batata da perda da dona, que é essa senhorita no canto da página.
- Ah, ta..... – tentou disfarçar a surpresa.
- E a senhorita é você – eu disse.
- Eu sou essa senhoria? Tô boba!
- Vou explicar: a planta é a gente querendo comer sua paciência, e você é você, lutando com a planta.
- É? E por que eu estou lutando com ela?
- Porque você ama ser professora e se for engolida por alguma coisa vai ter que deixar de dar aula....A gente até pode ser uma turma agitada, como você fala, mas ninguém aqui quer tirar de você a sua profissão, que é o que você mais ama na vida.
Surpresa, ela olhou para mim e sorriu. E chorou logo em seguida.
- Ô, Malu... – foi o desenho mais lindo que uma aluna já fez para mim! – ela disse, soluçando, antes de me esmagar num abraço que deixou meio espantada ao receber.
No dia, claro, não entendi nada. Mesmo porque meu desenho estava pavoroso. Hoje, eu fico imensamente feliz e orgulhosa quando lembro que, do alto dos meus oito anos, fiz uma professora chorar, Mas não de tristeza como na aula anterior.
De alegria.”
(Página 32 – Fala sério, professor! – Thalita Rebouças)

Hoje, em mais uma viagem de Paciência para casa, tive a oportunidade de ler alguns capítulos do livro da Thalita Rebouças. Agradeço a essa escritora por estar ajudando a minha filha a sair da fase leitora de gibis para uma leitora mais experiente. Já foi o “Fala sério, mãe!” , “Viagem ao centro da terra” e agora, ela me pediu para pegar na biblioteca da escola o empréstimo do “Fala sério, professor!” Normalmente passo a viagem, quando não corrigindo provas e redações, lendo o material da pós ou ouvindo minhas músicas. Enfim, hoje, o mp4 acabou a bateria, as provas já estavam todas corrigidas, assim como as redações e eu esqueci todo material da pós em casa. Sendo assim, a leitura do livro juvenil era o que restava e fui sem nenhuma credibilidade avançando as suas páginas. Esperando no máximo, algumas risadinhas, já que a leitura é de fácil “digestão”. Gostosa e descomprometida.
Então, me deparei com essa história fragmentada que exponho logo acima. Vi-me chorando como um bebê dentro do trem. Tocou-me profundamente a história dessa professora inventada pela autora, mas que reflete tão bem a história de todos os professores. Uma mulher desprezada pela sociedade, pelas políticas públicas, pela Instituição, humilhada por seus alunos e que sente todo esse peso constante em suas pernas como uma planta carnívora que tenta devorá-la todo tempo, tentando não só contra sua vida como por sua integridade moral.
A identidade foi imediata. Talvez porque vi ali o transbordar de um balde que já tolero há meses com o descaso do governo para os profissionais de educação evidenciado nas salas de aula hiper-lotadas, no fechamento de turmas a essa altura do ano, na redução de carga horária de língua portuguesa para as turmas do ensino médio, nas políticas públicas voltadas apenas para a melhoria dos resultados nas provas estaduais e federais sem se preocupar com a melhoria da qualidade do ensino e antes, ainda na escola, hoje, esse meu balde fora enchido por uma aluna que me confessou querer da vida o casamento e um trabalho em casa de família, no máximo e, por isso, ela não se importava com a nota 0,5 que tirara na prova de Língua Portuguesa onde só continha interpretação textual.
Essa planta carnívora só aumenta de tamanho. E quer devorar não somente a batata da perna. Quer nos devorar por inteiros.
Às vezes, surge uma “Malu” como um levante de auto-estima ou simplesmente alguém, que por obra e graça divina, se solidarizou com o nosso sofrimento. Isso é bom! É sinceramente bom! Mas não ameniza a dor que a planta tem nos causado diariamente, com um verdadeiro “pede pra sair” do governo, fazendo referência a fala do personagem capitão nascimento do filme Tropa de Elite. Esse mesmo governo que é a representação máxima de todo um povo. O mesmo povo que depende de nós para a educação básica ministrada e quase nunca aproveitada. Isso é ‘pirante’! E toda essa ‘piração’ me fez debulhar em lágrimas hoje, no trem, à tarde, voltando de mais uma jornada integral em sala de aula. Era só uma leitura descomprometida.Não esperava tanto dela. E é essa a surpresa que a leitura nos proporciona. Não esperar e mesmo assim receber.